De uns anos pra cá, o workwear se tornou, e tem se tornado, cada vez mais popular. E isso não é à toa, afinal, grande parte das roupas e modelagens que usamos hoje em dia tiveram origem nas roupas de trabalho. A Levi’s, que é conhecida pela sua tradição no uso de denim como matéria-prima, foi uma das precursoras do workwear como conhecemos hoje.
A Levi’s surgiu em 1853, quando seu criador, Levi Strauss, chegou a São Francisco durante a corrida do ouro e percebeu que ali existia uma demanda por roupas resistentes e funcionais para atender às necessidades de mineradores, ferroviários, lenhadores e operários da indústria.
Em 1873, Levi conhece Jacob Davis, um alfaiate que já era popular por fazer roupas para esses trabalhadores e que desenvolveu o que seria um divisor de águas para como os jeans seriam feitos dali pra frente: os rebites de cobre. Essa invenção solucionava diversos problemas técnicos que existiam na fabricação e durabilidade das peças de trabalho.
As calças e jaquetas rasgavam facilmente em áreas que eram submetidas ao esforço mecânico, como, por exemplo, no canto dos bolsos, na base do zíper ou fechamento (que na época era com botões), na junção do cós com o corpo da calça e na parte inferior dos bolsos, isso porque tudo o que suportava esses pontos eram apenas as costuras. Os rebites de cobre foram a solução perfeita para responder a esse problema, já que é um material de alta resistência mecânica, possui maleabilidade, resistência à corrosão e durabilidade. Vale dizer que os rebites de cobre foram patenteados por Levi Strauss e Jacob Davis e são um elemento importante do DNA da marca.
Ainda nessa época surgiu a “XX Waist Overalls”, que nada mais era a antecessora da clássica e icônica 501®️. Nessa época, o termo “overall” não servia apenas para descrever macacões, mas para descrever qualquer roupa utilitária destinada ao uso no trabalho.
O surgimento dos “Bib Overalls”, que são justamente os macacões com peitoral e alças, tornou-se muito popular no início do século XX, tornando-se até um símbolo da classe trabalhadora, que era basicamente composta por ferroviários, fazendeiros, carpinteiros e operários.
A Levi’s não criou o denim, mas utilizá-lo de forma estratégica e técnica, combinando-o com os rebites de cobre, foi uma virada de chave em como roupas utilitárias destinadas ao trabalho seriam feitas dali pra frente. Essa inovação elevou o denim de um simples tecido resistente para algo técnico e funcional.
A Levi’s teve impactos históricos e culturais ao institucionalizar o workwear, transformando roupas utilitárias em um uniforme reconhecido da classe trabalhadora da época. Também trouxe para o jeans um símbolo de autenticidade, funcionalidade, durabilidade e resistência, muito bem representado no Two Horse Patch. E, por fim, estabeleceu um padrão industrial que se tornaria um parâmetro de qualidade para qualquer marca que surgisse posteriormente.
Poderíamos citar várias outras peças icônicas que surgiram dessa época, ou até mesmo muitos outros grandes feitos que a Levi’s estabeleceu ao longo de sua história. No entanto, mais do que listar marcos e produtos, o legado da Levi’s está na forma como a marca transformou necessidades reais em soluções duráveis e atemporais. Ao unir inovação, funcionalidade e identidade cultural, a Levi’s não apenas ajudou a definir o workwear, mas também consolidou um patrimônio que continua influenciando a maneira como nos vestimos até os dias de hoje.
Texto por Vitor Diorgenes
Edição por Júlia Lacerda